sábado, abril 23, 2005

Tendencioso ou faccioso?

Todas as pessoas que têm por alguma coisa um sentimento profundo, são um pouco tendenciosas a analisa-lo, os nossos filhos serão sempre os mais precoces do infantário, os nossos pais foram os melhores do tempo deles em tudo, o nosso partido político é o que menos erros comete, o nosso bairro é o melhor da zona e até, pasme-se, a nossa empresa é a que melhores produtos vende (mesmo que sejamos mal pagos).
No futebol este sentimento, ou melhor, esta necessidade de exaltar qualidades e esconder defeitos é por vezes levada ao extremo. Sabendo que o resultado de um jogo é definitivo, havendo só três desfechos possíveis (Vitoria, empate ou derrota) a explicações dos acontecimentos passam sempre, ou na maior parte das vezes por culpas externas.
Contra mim falo, pois muitas vezes também procurei fora da minha equipa e da sua exibição a explicação de algumas derrotas, penso no entanto que existe um linha bem definida que separa aquilo que entendo por tendência natural para analisar os factos de acordo como os nossos mais profundos desejos e aquilo a que chamo o facciosismo exacerbado.
Admito portanto que em certas situações sou tendencioso mas nunca roçando o facciosismo que vejo em muitas pessoas à minha volta.
Uma vez que este blog fala essencialmente de futebol vamos a factos concretos:

Esta jornada foi produtiva em casos nos jogos dos grandes, vou analisar um a um, podendo nalguns casos ser algo tendencioso o leitor o dirá, mas nunca sendo cego ou faccioso.

Jogo 1 Estoril x Benfica

Expulsão de Rui Duarte – Nada a dizer em qualquer um dos lances a mostragem do cartão a amarelo era o indicado
Mão de Dorival na Área – Neste lance ficam algumas duvidas, se é um facto que o jogador não tem intenção de jogar a bola com a mão, não é menos verdade que esta corta um lance que deixaria o jogador do Benfica isolado (Nuno Gomes) com possibilidade de fazer o golo, este tipo de lances as indicações da FIFA deveriam ser mais concretas, ou seja, deveria ficar de uma vez por todas clarificado que sempre que um jogador interrompe uma jogada passível de golo por toque com a mão, excepto quando esta não se tornar um prolongamento do corpo, deve ser assinalada a respectiva infracção pois com a intervenção de um elemento estranho as regras corta um lance de golo eminente. Neste caso apesar de tudo o que disse penso que o juiz agiu bem porque não sendo claras as indicações da FIFA prevalece a intencionalidade do toque que neste caso não se verifica.
Puxão de Ricardo Rocha a Moses – Penalty que ficou por assinalar, a gravata é clara e ostensiva.
Agressão de Cisse a Mantorras – Depois de uma, duas, três reviengas o jogador do Estoril não se conteve e agrediu barbaramente o angolano do Benfica com um pontapé na perna que já tantas dores de cabeça deu ao menino, para este tipo de lances não pode haver contemplações é vermelho directo.

Nota: neste jogo a equipa do Estoril fez 33 faltas contra apenas 7 do Benfica, com um futebol desta estirpe é bem natural que sejam a equipa com mais cartões, não acham?

Jogo 2 Sporting x Académica

Liedson Puxado – nesta situação o arbitro deixou passar em claro uma falta cometida pelo jogador da académica sobre Liedson, sendo esta cometida fora da grande área daria origem a um livre directo muito perigoso em zona frontal à baliza.
Anderson Polga Corta com a mão – numa jogada em que o jogador da académica se isolaria na direcção da baliza o brasileiro do Sporting corta a jogada com o auxilio do braço, parece por demais evidente que segundo as regras em vigor, regras essa que protegem o espectáculo e quem ataca, a solução passaria pela exibição do vermelho directo, no entanto e uma vez que o jogador da briosa ainda tinha perto de 50 metros para correr até chegar à baliza entende-se a não amostragem do mesmo e a sua substituição pelo amarelo, ainda que o vermelho também não ficasse mal na foto.

Nota: Não terá o Sporting que se queixar mais dos falhanços de Pinnila e companhia do que do arbitro?

Jogo 3 Beira-mar x Porto

Hélder Postiga cai na área – não exite qualquer falta do jogador do Beira-mar neste lance, fica no entanto um cartão amarelo por mostrar ao jogador do porto por simulação
Diego travado pelo gurada-Redes – neste caso passou-se o inverso Diego é efectivamente travado em falta pelo guarda-redes e o árbitro não só não marca o respectivo penalty como ainda por cima mostra o cartão amarelo a Diego, este lance não foi decisivo para o desfecho da partida mas caso fosse preciso ainda faria correr muita tinta estando no caso (ou que é raro) a razão do lado dos portistas.

Se fui ou não parcial na análise muito sinceramente não sei, mas tenho a convicção que não fui animalisticamente (não sei se a palavra existe) faccioso como certos senhores,que com muito mais responsabilidades que eu, e com muito mais poder de fazer opinião, não se importam de incendiar o futebol português semana após semana.

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